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Dezembro Vermelho reforça a conscientização sobre Aids e DST?s em Lages

A lei federal 13.504 instituiu no país a Campanha Nacional de Prevenção ao HIV/Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis conhecida como Dezembro Vermelho, cujo foco é a prevenção, assistência, proteção e promoção dos direitos humanos das pessoas que vivem com tais doenças. Neste mês, atividades e mobilizações são desenvolvidas nas esferas públicas e privadas com a iluminação de prédios na cor vermelha, campanhas e informes publicitários, palestras e atividades educativas.

Um destes eventos foi a sessão especial realizada pela Câmara de Lages no dia 4, que abriu o Dezembro Vermelho no município. De autoria do vereador Lucas Neves (PP), a reunião trouxe à pauta a discussão sobre o tema. “Propomos esta sessão por entender que nós temos que reforçar o assunto e esclarecer que existem métodos disponíveis de proteção na rede pública para evitar a contaminação. Que a gente possa estar falando disso sempre, fortalecendo o assunto, tirando alguns dogmas que existem em relação a doença e demonstrando que é possível promover a prevenção e a conscientização”, explica Lucas.

Mais de mil pessoas de toda a região recebem tratamento com médicos, enfermeiros e psicólogos através da Vigilância Epidemiológica, que conta ainda com um laboratório para a realização do Teste Rápido para HIV, o qual detecta a doença.  Já a distribuição de camisinhas e gel lubrificante é realizada de forma gratuita nas unidades de saúde do município. Lages ocupa a 6ª posição entre os 12 municípios com mais altas taxas no estado, com 44,1 casos para cada 100 mil habitantes.

 

Alerta sobre o papel de cada um na erradicação desta doença e panorama sobre a sífilis congênita

 

Secretária da Saúde em Lages, Odila Waldrich comenta que o tratamento para a Aids é eficaz, 100% gratuito e não tem falhado para atender a população. No entanto, ela alerta que este trabalho não pode ser voltado há apenas um dia ou um mês. “Dificilmente passamos um mês sem ter um caso novo, o que nos entristece e sabemos que é culpa nossa por não termos sensibilizados toda a população para que entendam o quão grave é o problema do HIV”, disse a secretária.

A Aids é uma doença silenciosa, lenta em suas manifestações físicas e ainda tratada como tabu. É transmitida pelo sexo vaginal, anal ou oral sem o uso da camisinha; transfusão de sangue contaminado pelo HIV; transmissão da mãe para o filho durante a gestação, parto ou amamentação. Waldrich reforça: “Não só profissionais da saúde, mas todos, em cada relação, temos de ter a consciência de que se pode ser infectado, porque depois disso é mais difícil para tratar. O profissional faz a sua parte, mas o cliente, a população, precisa cumprir com sua obrigação”.

A sessão da Câmara contou ainda com a explanação da médica pediatra e especialista em Neomastologia, Juliana Newton, que explicou que a sífilis congênita é uma doença infectocontagiosa responsável por muitos casos de abortos e óbito fetal se não diagnosticada e tratada desde o início da gestação. De 2005 a 2012 foram relatados 60 mil novos casos em gestantes no país.

            A sífilis congênita pode ser transmitida via sexual ou de maneira vertical, da mãe para o feto. No entanto, ela pode ser prevenida com estratégias efetivas de diagnóstico e com o tratamento precoce da gestante e do parceiro. Com o tratamento adequado, os riscos para o feto são mínimos. Sem o devido cuidado, além dos riscos de abortamento e óbito, a doença pode implicar em sequelas permanentes de ordem neurológica, ósseas, dentárias e surdez. E acompanhamento ao bebê engloba diferentes fases até os dois anos de idade.

 

Vítimas da doença, mulheres guerreiras lutam por uma vida melhor para outros na mesma situação

 

Presidente da ONG Raízes, que presta auxílio mensal a mais de 50 pessoas vítimas da Aids, Edilamar Albano descobriu ser portadora do vírus HIV em 7 de julho de 2004. Mãe de três filhos e com duas netas, Edilamar enfrentou as dificuldades dos primeiros anos de doença e se reergueu com mais força para ajudar outros que se sentem desamparados quando do diagnóstico e das primeiras reações perceptíveis da Aids no organismo.

Devido às regras impostas pelo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, a ONG Raízes se viu sem o patrocínio concedido pelo poder público. Edilamar pediu apoio para a manutenção dos trabalhos. “Estou aqui falando em nome de mil pacientes, lutando por eles, porque não é fácil dar o cara a tapa e se mostrar para a sociedade. Estamos fechando as portas da nossa instituição por falta de amparo, patrocínio, de um olhar para nos acolher. Este é um trabalho pequenino, mas de grande ajuda às pessoas, seja com uma cesta básica, uma palavra, uma visita”.

Edilamar agradeceu o cuidado e os esforços da equipe de saúde do município e dos médicos Sérgio e Suyane para com os pacientes, mas reforçou a necessidade da contratação de um infectologista para que toda a extensão do vírus possa ser mais bem compreendida pelas pessoas acometidas pela doença.

Portadora do vírus há 27 anos, Juraci Fátima de Oliveira já esteve em estado terminal devido a Aids, mas com fé em Deus e o apoio da família e de pessoas na mesma situação, hoje convive bem com a doença. “Quando o médico disse que os medicamentos não teriam mais efeito, não guardei isso só pra mim. É muito triste quando a pessoa não comunica as pessoas, porque ela vai morrendo aos poucos, minando todos os dias a cabeça, o corpo e o espírito, mas comuniquei a minha família, que deu um apoio muito importante, ao meu cônjuge, ao grupo da ONG Raízes, que é uma família também, onde se compartilha experiências e você se sente forte quando vê na outra pessoa as atitudes e uma força que também brota dentro de ti”, comenta.

Ela deixou o alerta aos mais jovens para que se previnam e nunca deixem de acreditar em si mesmos. “Achava que isso acontecia com o Cazuza, mas não comigo, por isso é importante alertar aos jovens sobre o perigo, pois nem sempre um rosto e um corpo bonito vão demonstrar em um primeiro momento que aquela pessoa é portadora do HIV. É uma situação muito complicada, muitos no primeiro relacionamento acham que conhecem o cônjuge, o amor fala mais forte, mas o cuidado e a precaução tem que ser mais fortes. (...) Nestes anos que convivi com isso, tive mais valor à vida, pois não dava valor à vida. Quando se sabe que o tempo pode ser limitado, a gente sente que pode ser melhor e ajudar aqueles que precisam”, disse uma emocionada Juraci.

Ao fim dos trabalhos, Lucas Neves agradeceu os presentes e se disse feliz por abrir a Casa Legislativa para este debate e possibilitar mais visibilidade sobre o tema. A missão agora, segundo ele, é sensibilizar a administração municipal para que realize a abertura de um edital de credenciamento ao Marco Regulatório, para que ONG’s como a Raízes continuem a receber auxílio e prestar assistência às pessoas que mais precisam, além da contratação de um infectologista pelo município. “Que este ato não apenas sensibilize as pessoas sobre a causa, mas que traga resultados efetivos e fortaleçam as políticas públicas existentes”, definiu.

 

ONG Raízes promove almoço italiano neste domingo

 

Como forma de contribuir para as atividades da ONG que presta ajuda às pessoas acometidas pelo vírus da Aids, a ONG Raízes promove neste domingo (10) uma almoço italiano beneficente no Salão da Igreja Santa Cruz, no Centro de Lages. O cardápio terá massa, galeto, arroz, maionese, saladas e frutas ao preço único de R$ 20 por pessoa. Após o almoço, haverá bingo com brindes. Para informações e ingressos, contato pelos fones (49) 99947-7025 e (54) 98126-9734 ou direto na sede do grupo, na rua Lauro Müller, 88, no Centro.

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