Mostra aberta ao público reúne vestidos oficiais, acessórios e elementos cenográficos que contam a trajetória cultural da realeza lageana ao longo das 36 edições da festa
Instalada no Casarão Juca Antunes, patrimônio cultural, histórico e arquitetônico da cidade, a exposição foi organizada pelo La Única Ateliê em parceria com a Bravo, Bravíssimo! Companhia Teatral. Estão expostos 32 vestidos e três trajes oficiais, além de acessórios usados por rainhas e princesas da Festa Nacional do Pinhão.
A exposição pode ser visitada de segunda a quinta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Nas sextas, sábados e domingos, o atendimento ocorre das 14h às 20h. A entrada é gratuita. Como parte da programação especial, nos dias 29 e 30 de maio, além de 4, 5 e 6 de junho, sempre às 19h, o público poderá participar de visitas guiadas conduzidas pelos personagens Ludovico Gralho e Dama Azul, proporcionando uma experiência imersiva e interativa.
A iniciativa propõe uma verdadeira viagem pela memória da realeza da Festa do Pinhão, revelando os bastidores dos trajes, as inspirações criativas, os processos de produção e os elementos que ajudam a construir a identidade cultural lageana. “‘Costurando Memórias’ é um resgate afetivo da história da Festa Nacional do Pinhão, das mulheres que representaram nossa cultura ao longo das décadas e de todo o trabalho artístico envolvido na construção dessa tradição. Cada peça carrega identidade, emoção e memória, permitindo que o público reconheça e valorize a riqueza cultural de Lages”, destaca a superintendente da Fundação Cultural de Lages, Carla Zonatto, reiterando a intenção da prefeita Carmen Zanotto em resgatar e valorizar a história da festa do longo de mais de três décadas.
Além de apresentar os vestidos, a exposição convida o público a mergulhar em histórias, sentimentos e tradição, em uma visita totalmente imersiva. Dividida em três atos: Lembranças, Histórias e Transformação, a mostra percorre temas ligados à criação artística, pesquisas, matérias-primas, referências culturais, lendas e símbolos que marcam a trajetória da Festa Nacional do Pinhão.
Entre os elementos utilizados na composição dos cenários estão grimpas de araucária, capim dos pampas e pinheiro americano, além de artigos de corte e costura, croquis dos vestidos e acessórios utilizados pelas realezas, como as esplendorosas coroas, que aguçam a curiosidade e atraem os olhares por onde passam, as faixas que denominam a hierarquia dividida entre rainha e princesas, o número da edição da festa e as botas, sempre icônicas e motivos de desejo entre as mulheres.
Dezoito vestidos oficiais foram produzidos pelo La Única Ateliê
O espaço também destaca o trabalho dos estilistas e de todas as pessoas envolvidas na construção desse importante símbolo cultural de Lages. O La Única Ateliê é responsável pela confecção de 18 dos 32 vestidos oficiais expostos. “Fazer parte da história dos vestidos da realeza da Festa Nacional do Pinhão é algo que atravessa gerações dentro da nossa família e também da trajetória do ateliê. São muitos anos dedicados não apenas à criação de vestidos, mas à construção de memórias, símbolos e narrativas que representam a força da nossa cultura serrana. Essa exposição nasceu de um desejo muito pessoal de compartilhar com o público tudo aquilo que existe por trás de cada vestido: o processo criativo, os materiais, as referências, os bastidores e o trabalho artesanal construído ao longo dos anos. Ter ao meu lado meu pai, Sétimo Guerino Omizzolo, que também ajudou na construção da exposição e por muitos anos foi responsável pela criação das coroas da realeza, tornou esse momento ainda mais significativo para mim, porque essa história nunca foi construída sozinha”, comenta a estilista Ana Lopes.
Ana completa dizendo sobre a importância de enaltecer todas as estilistas que participaram das produções dos vestidos e ajudaram a construir a identidade da realeza ao longo das décadas. “Ver vestidos de diferentes épocas reunidos no mesmo espaço é uma forma de homenagear essa trajetória coletiva. E, de maneira muito especial, é uma honra imensa ver os 14 vestidos criados pela minha mãe, Dona Bere, expostos ali. São vestidos que acompanharam minha infância e adolescência, peças que eu vi nascer de perto, entre tecidos, provas, desenhos e noites de trabalho. Existe uma carga afetiva muito forte em enxergar essa memória transformada em patrimônio cultural e artístico”, diz.
Para a estilista, um dos momentos mais emocionantes foi ver a sua própria sala de criação representada dentro da exposição. “Foi como abrir uma parte muito íntima do meu processo artístico para as pessoas. Ver aquele espaço, onde tantas ideias nasceram e tantos vestidos foram criados, transformado em memória e experiência para o público, me emocionou profundamente”, comenta emocionada.
A magia e produção teatral conta a história dos vestidos
A Bravo, Bravíssimo! Companhia Teatral teve um papel essencial na execução e também na direção criativa da exposição, ajudando a transformar a história dos vestidos em algo vivo, sensível e cheio de significado.
A exposição, nos dias de visitação guiada, é conduzida pelos personagens Ludovico Gralho, interpretado por Matheus Alves e a Dama Azul, interpretada pela atriz Jessica Matos. Além do texto e roteiro, a companhia é responsável por montar a exposição e coletar todo material de pesquisa com a Fundação Cultural de Lages, patrocinadores e os estilistas. “Os personagens conduzem os espectadores contando a história da cidade, lendas, costumes, além de falar sobre curiosidades dos cenários, ambientações, vestidos e estilistas nunca antes contadas, explorando toda a essência do imaginário pelo qual os mesmos percorrem para compor um traje para a realeza”, conta Matheus.
Assim como numa peça de teatro, a exposição passa por três atos: Lembranças, do qual se fala sobre quem passou e deixou seu legado; Histórias, onde se fala sobre as raízes e como se chegou até aqui, assim como o caminho percorrido pelos estilistas. Depois a Transformação, onde é revelado um segredo da trama, levando o público ao coração de todo ateliê de costura, mostrando onde inicia todos os processos para uma verdadeira transformação.
Texto: Aline Tives
Fotos: Fábio Pavan
Galeria







