Mostra realizada em Lages aposta na circulação de espetáculos fora dos grandes centros
Companhias teatrais de diferentes regiões de Santa Catarina estarão reunidas em Lages entre os dias 9 e 15 de novembro durante a segunda edição da Mostra de Teatro do Interior (Motin). Com programação gratuita, o evento traz ao município grupos convidados de cinco mesorregiões catarinenses em uma proposta que busca ampliar a circulação de espetáculos produzidos fora dos grandes centros urbanos e fortalecer a conexão entre artistas, público e comunidade.
A mostra foi concebida com foco na valorização de produções teatrais do interior do Estado ou em territórios periféricos de grandes centros urbanos. Além das apresentações, a programação contará com oficinas, rodas de conversa e momentos de trocas entre os grupos participantes. A ideia é criar oportunidades de compartilhamento de experiências e fortalecimento da rede de artistas catarinenses.
“A Motin foi pensada justamente para reunir grupos que raramente conseguem circular pelos mesmos espaços. Foi uma ideia surgida na Pandemia e a primeira edição foi completamente online. É uma oportunidade que terão para falarem sobre os processos de criação e mostrarem seus trabalhos ao público”, diz o coordenador do evento, Gilson Maximo.
A programação reunirá cinco companhias convidadas das regiões Oeste, Vales, Sul, Norte e Grande Florianópolis, além de dois espetáculos do projeto Cena Viva, realizado em parceria com a Maximus Produção Cultural, que prevê a participação de artistas do Planalto Serrano e da Grande Florianópolis.
O evento também abrigará a quarta edição do Encontro Memória Viva das Artes Cênicas Catarinenses, promovido em parceria com a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), e a assembleia de eleição da nova diretoria da Federação Catarinense de Teatro (Fecate).
Ao todo, a mostra oferecerá 15 apresentações teatrais, cinco oficinas e cinco rodas de conversa abertas ao público, que ocuparão espaços como o Centro Cultural e o Teatro do Sesc, a sede da Associação Cultural Matakiterani, escolas, o Mercado Público Municipal, além de ruas e praças da cidade.
Interior em cena
Uma das marcas da mostra é dar visibilidade a grupos que têm menos participação em festivais e circuitos consolidados de artes cênicas. Para a organização, iniciativas como a Motin ajudam a reduzir distâncias geográficas e ampliar o acesso do público à diversidade da produção teatral de Santa Catarina.
” Apresentar nosso trabalho em outras regiões do estado é muito mais do que circular com um espetáculo. É a oportunidade de conhecer pessoas, encontrar outras realidades e compartilhar histórias que talvez nunca tivessem chegado até aquele público”, diz Taina Lima Orsi, da Cia. Artistica Guita, de Biguaçu. Ela acredita que o teatro precisa estar onde as pessoas estão, e não apenas nos grandes centros.
Além das apresentações, todos os grupos convidados permanecerão em Lages durante a programação. A proposta é incentivar o diálogo entre artistas e permitir que experiências sobre criação, produção e gestão cultural sejam compartilhadas durante oficinas e rodas de conversa.
Iraci Seefeldt, artista de teatro e integrante do Instituto Impar de Joinville, diz que a Motin reunirá grupos com linguagens e características diversas. “Isso é muito importante para o fortalecimento da cultura do nosso estado”, afirma.
Ela lembra que nesta edição a programação abre espaço para um tema de grande impacto, que é acessibilidade cultural. “Com as políticas de acessibilidade, aspessoas com deficiência, neurodivergentes e com transtorno mental, historicamente excluídas da vida cultural das cidades, passaram a ocupar um lugar de protagonismo em projetos culturais. E é essa discussão que o Impar vai levar para a Motin”, antecipa Iraci.
Segundo a organização, esse ambiente de convivência é um dos principais diferenciais da mostra, que busca ir além da apresentação dos espetáculos e estimular a construção de parcerias futuras.
De Imbituba, no Sul, vem o grupo Circo Ventania. A artista Laura de Dominicis destaca as diversas possibilidades que o encontro poderá proporcionar. “Será momento de compartilhar processos criativos que possam estimular as produções em cada um. De compartilhar desafios e dificuldades que cada produtor, diretor ou artista possa ter, poder achar soluções em conjunto para os problemas da produção teatral. Além dessas companhias, integram a programação a Suliarte Produções Culturais e Literárias e Ruth Rodrigues Produções, ambas na mostra oficial, a Cia Matakiterani e a Cia Circo-Íris convidadas pelo projeto Cena Viva e três trabalhos universitários em parceria com o Encontro Memória Viva das Artes Cênicas Catarinenses, da Udesc.
Todas as atividades, espetáculos, oficinas e rodas de conversa, serão gratuitas, atendendo a público de todas as idades, respeitada a classificação indicativa de cada atividade. A 2º Motin tem expectativa de público superior a mil pessoas. A mostra é financiada pela emenda parlamentar do deputado federal Pedro Uczai, tem execução da Associação Cultural Matakiterani, apoio da Fundação Cultural e Prefeitura de Lages, Udesc, Fecate e realização da Funarte, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Taina Borges – Assessoria de Imprensa da Motin





