Santa Catarina se despede de um dos maiores nomes do turismo rural brasileiro. Referência em hospitalidade, símbolo do tradicionalismo e das mais autênticas raízes serranas, Laélio Bianchini da Costa Ávila, o querido Tio Lélo, morreu aos 85 anos, nesta quarta-feira (15).
Visionário e empreendedor, Tio Lélo foi um homem à frente de seu tempo. Sua atuação foi decisiva para consolidar o turismo rural na Serra Catarinense e transformar a atividade em um modelo reconhecido nacionalmente.
A data de sua morte coincide com o Dia do Homem, celebrado no Brasil, e também com o aniversário da Queda da Bastilha, marco histórico da Revolução Francesa, episódio que simbolizou o início de profundas transformações políticas e sociais na Europa.
A partida de Tio Lélo deixa uma lacuna no turismo catarinense. Ele foi um dos pioneiros do turismo rural no Brasil e inspirou empreendimentos em diversas regiões do país, tornando-se uma das principais referências do setor.
À frente da histórica Fazenda do Barreiro, cuja origem remonta a 1763, construiu, ao lado da esposa Tânia Ávila, uma trajetória marcada pelo acolhimento, pela valorização da cultura regional e pela preservação das tradições campeiras. O casal foi protagonista no processo que levou Lages a ser reconhecida como a Capital Nacional do Turismo Rural.
A adaga na cintura, o chapéu de abas largas, a bombacha e o inseparável chimarrão faziam parte da identidade de Tio Lélo. Dono de uma conversa tranquila e de um vasto repertório de histórias, encantava visitantes com relatos sobre a cultura serrana, a vida no campo e as tradições gaúchas. Apesar de conhecer diversos países, escolheu viver seus últimos dias na fazenda que ajudou a transformar em referência nacional. Parte deixando um legado que permanecerá vivo na história do turismo e na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Pioneirismo: Em 1985, Laélio e Tânia começaram a servir almoços típicos na Fazenda do Barreiro. Em fevereiro de 1986, iniciaram oficialmente as hospedagens, criando um modelo inovador de turismo rural que se tornou inspiração para empreendedores de todo o Brasil.
Hospitalidade: Reconhecido como um exímio contador de histórias e defensor das tradições gaúchas, recebeu visitantes de diferentes países com o calor do chimarrão, cavalgadas pelos campos da Coxilha Rica e uma hospitalidade que se tornou sua marca registrada.
Família: Ao lado de Tânia Ávila, herdeira da Fazenda do Barreiro, viveu uma união de 61 anos. Dessa parceria nasceram dois filhos e vieram quatro netos, que agora carregam a missão de preservar um legado construído com trabalho, visão e amor pela terra.
Texto/fotos: Onéris Lopes
Assessoria de Comunicação Amures




