A prefeita de São José do Cerrito, Tainara Raitz, visitou na tarde desta sexta-feira (20) o grupo indígena da Aldeia Bugio, da comunidade Laklãnõ Xokleng, responsável pela construção do primeiro protótipo de casa subterrânea em uma área do complexo turístico do Centro Integrado de Cultura. A prefeita se encantou com o projeto, que deve ser concluído até o fim de semana.
De volta de viagem a Brasília, onde esteve desde segunda-feira, Tainara chegou ao local no início da tarde e fez um agradecimento especial ao responsável pela obra, Geramiel Ndjuplo de Almeida. “O que estamos vendo aqui é a entrega de um produto turístico que vai muito além de uma obra física. É o resgate histórico, cultural e espiritual realizado com a maior autenticidade possível”, destacou.
O modelo habitacional, utilizado há cerca de 1.100 anos pelos povos indígenas Jê Meridionais, como os Kaingang e Xokleng, está sendo reproduzido em um bosque cercado por araucárias centenárias. A escolha do local seguiu um ritual indígena, no qual os líderes espirituais indicaram o ponto exato para a construção. A secretária de Esportes e Turismo, Lola Maringoni Guimarães, acompanhou de perto os trabalhos, garantindo o suporte necessário durante toda a execução do projeto.
Ao recepcionar a prefeita, Geramiel Ndjuplo de Almeida agradeceu a oportunidade e destacou os desafios da iniciativa. “Foi um grande desafio e, ao mesmo tempo, gratificante. Assumir esse compromisso fora da minha comunidade foi algo inovador e exigiu muita responsabilidade, já que a casa subterrânea precisa oferecer segurança aos visitantes”, afirmou.
Com aproximadamente 36 metros quadrados e formato circular, a estrutura possui 1,70 metro de profundidade em relação ao nível do solo. No interior, foram construídas duas fileiras de assentos escavados no barranco com capacidade para mais de 30 pessoas e, ao centro, um espaço destinado à fogueira, seguindo os costumes ancestrais.
A previsão é de que, ao longo deste sábado (21), a estrutura seja totalmente coberta com palhas de butiazeiro trançadas, além da finalização dos últimos detalhes. O protótipo servirá como referência para futuros projetos semelhantes em sítios arqueológicos do município, além de funcionar como unidade didático-pedagógica para estudantes e visitantes.
Texto/fotos: Onéris Lopes




