Neste sábado (22), evento do Banco da Família reunirá histórias de empreendedoras, feira de negócios e atividades sobre empreendedorismo, bem-estar e saneamento
Com nove grupos formados, o projeto Rede de Mulheres, do Banco da Família, inicia uma nova etapa de expansão em Lages, na Serra Catarinense. A iniciativa busca chegar a outras regiões da cidade e aproximar mulheres que já mantêm pequenos negócios ou que desejam transformar uma ideia em uma nova fonte de renda.
Em um ano de operação, o projeto já beneficiou mais de 80 mulheres por meio de 22 operações de crédito, que somam mais de R$ 180 mil. Os financiamentos começam em R$ 300 e são acompanhados de orientação sobre a aplicação dos recursos.
Para apresentar a modalidade a novas participantes, o Banco da Família, instituição de microfinanças sem fins lucrativos, realiza neste sábado (22) a segunda edição do Mulheres em Rede. O encontro começa às 13h30, na Associação de Moradores do Bairro Santa Mônica, e será aberto ao público feminino, com atenção especial a mulheres que empreendem ou pensam em começar um negócio.
A escolha do bairro faz parte da estratégia de ampliar a presença do projeto pela cidade. A região já reúne participantes da Rede de Mulheres e foi identificada como um território com potencial para a formação de novos grupos.
“Essa modalidade ainda é pouco conhecida. Quando as mulheres veem o movimento na comunidade e escutam a experiência de quem já participa, entendem que é algo real e próximo. Isso aumenta a confiança e facilita a formação de novos grupos”, explica Izabela Ramos, supervisora de Responsabilidade Social do Banco da Família.
Mais do que crédito, uma rede de apoio
Na Rede de Mulheres, as participantes são organizadas em grupos que trabalham com o modelo de garantia solidária. O acesso ao microcrédito acontece de forma conjunta e é acompanhado por encontros periódicos, orientação financeira e troca de experiências.
A proposta vai além do acesso ao recurso. As participantes fortalecem seus negócios, divulgam produtos e serviços, criam oportunidades de consumo entre si e constroem uma rede de apoio que pode contribuir para o desenvolvimento de cada empreendimento.
Atualmente, as empreendedoras atuam em áreas variadas, como produção de pães, bolos e salgados, venda de roupas e itens de decoração, pet shop, marmitas, impressões, extensão de cílios, serviços de manicure e muito mais.
A faixa etária também é diversa, reunindo mulheres de 18 a 70 anos, com maior presença de participantes entre 45 e 50 anos. “Muitas participantes ainda não empreendiam e começaram a desenvolver pequenos negócios depois de entrar para a Rede. O crédito é importante, mas o acompanhamento e o apoio entre elas também ajudam a transformar uma ideia em uma fonte de renda”, afirma Izabela.
Essa visão está alinhada à atuação social mais ampla do Banco da Família, que busca olhar para as famílias não apenas a partir de suas necessidades financeiras, mas também das condições que influenciam sua qualidade de vida. Um exemplo é o Despertar, metodologia utilizada pelo Banco para apoiar famílias na identificação de desafios e na construção de caminhos para melhorar diferentes aspectos de suas vidas.
No caso da Rede de Mulheres, essa perspectiva ganha uma dimensão ainda mais prática: fortalecer a autonomia, a geração de renda e as condições necessárias para que as mulheres possam empreender e desenvolver seus projetos.
Empreendedorismo também depende de saúde, bem-estar e saneamento
Nesta edição do Mulheres em Rede, o Banco da Família conta com a parceria da Water.org, organização internacional que atua na ampliação do acesso à água e ao saneamento por meio de soluções de financiamento. A organização já beneficiou mais de 80 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo cerca de 1 milhão no Brasil.
A parceria também se conecta diretamente à realidade observada entre as empreendedoras atendidas pelo Banco. Muitos desses pequenos negócios são realizados dentro da própria casa, fazendo com que as condições de água, saneamento e infraestrutura tenham impacto direto tanto na atividade econômica quanto na saúde e no bem-estar da família.
Por isso, o saneamento será abordado no evento como parte das condições que contribuem para uma vida mais saudável e para a sustentabilidade dos pequenos negócios. A equipe comercial do Banco da Família fará uma sensibilização sobre a relação entre saneamento básico, saúde, qualidade de vida, bem-estar das famílias e desenvolvimento dos empreendimentos.
“A gente percebe que, para muitas mulheres, a casa também é o espaço onde o negócio acontece. Então, falar de empreendedorismo é também falar das condições que permitem que essa mulher trabalhe, cuide da sua família e desenvolva seu negócio com mais segurança e qualidade de vida”.
Feira de negócios e histórias que inspiram
A programação terá falas curtas, painel com participantes da Rede de Mulheres e uma feira de negócios. As empreendedoras foram convidadas a levar seus produtos e apresentar seus serviços, criando um espaço para vendas, parcerias, divulgação e troca de contatos.
A expectativa é reunir ao menos um empreendimento de cada grupo ativo.
A estratégia já apresentou resultados na primeira edição do evento. Após o encontro anterior, três novas redes foram formadas. Agora, o Banco da Família pretende repetir a experiência para tornar o modelo mais conhecido, ampliar a participação das mulheres e fortalecer a iniciativa em diferentes regiões de Lages.
“O evento foi pensado para ser dinâmico. É um momento de valorização das mulheres que já fazem parte da Rede, mas também um convite para que outras conheçam a proposta e percebam que podem contar com crédito, orientação e apoio para começar. Mais do que oferecer um financiamento, queremos ajudar a criar condições para que essas mulheres possam desenvolver seus projetos e fortalecer suas famílias”.




