No Dia Mundial do Autismo, Estado destaca a importância do reconhecimento e do tratamento

Por Luiz Del Moura

Valorize as capacidades e respeite os limites! Com esse mote, a campanha deste ano, do Dia Mundial do Autismo, 2 de abril, busca destacar a importância de reconhecer e respeitar as habilidades e as particularidades de pessoas com transtorno do espectro do autismo (TEA).

Em Santa Catarina, por meio dos serviços de assistência oferecidos pelo Governo do Estado, formou-se uma rede de atendimento que acolhe o paciente desde a Atenção Primária à Saúde (APS) até o acompanhamento nos Centros de Reabilitação. Mas a ideia é ampliar ainda mais e criar a Política Catarinense de pessoas com TEA, integrando a Secretaria de Estado da Educação (SED) e a Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE).

“Nosso foco com a nova Política de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência, é o diagnóstico precoce, com avaliação centrada na funcionalidade do indivíduo, Avaliação Biopsicossocial da deficiência, e o encaminhamento o mais precoce possível para a reabilitação”, explica a gerente de Habilitações e Redes de Atenção da SES, Jaqueline Reginatto.

No estado, a porta de entrada do usuário nos serviços de saúde é pela Atenção Primária, geralmente a partir do encaminhamento da rede regular de ensino ou dos locais de atendimento da Assistência Social.

Um dos serviços de acolhimento é o Centro Catarinense de Reabilitação (CCR), em Florianópolis. Unidade própria da SES, o CCR possui diversos núcleos de atendimento, dentre eles o de Reabilitação Intelectual e Transtorno do Espectro do Autismo. O local oferece uma equipe interprofissional de 16 pessoas formada por médico, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, nutricionista e um profissional de Serviço Social.

Um dos pequenos atendidos por lá é o Natan, de 5 anos, filho do vendedor Amauri Guize. Há quase dois meses, os pais foram encaminhados a um posto de saúde ao notarem uma certa dificuldade no desenvolvimento do filho dentro da creche. De lá, seguiram para a unidade especializada em busca de respostas para diversas dúvidas e amparo no momento de incertezas.

“Eu não teria condições de fazer um atendimento desse hoje. Eu nem tenho noção de quanto ficaria uma estrutura dessa aqui para atender o meu filho. E aqui a gente fica feliz porque assim a gente vê que o lugar é preparado para acolher eles. O pessoal entende, eu vejo que eles realmente se preocupam com ele. E isso aí a gente, como pai, é o que a gente espera”, disse Amauri, que também relatou melhora na socialização e desenvolvimento da fala do garoto. Por alto, calcula-se que em uma rede particular toda essa gama de serviços oferecidos às famílias catarinenses custe cerca de R$ 8 mil por mês.

A terapeuta ocupacional do CCR, Camille Macedo Nunes Weiser, e sua equipe se dedicam a desenvolver a parte do processamento sensorial. É por esse caminho que se busca resolver problemas como a seletividade alimentar e a agitação. “A gente trabalha para esclarecer e desenvolver as estratégias para que haja uma modulação, uma regulação dessa criança, para que o cérebro consiga absorver os estímulos, processar e conseguir dar uma resposta adaptativa. Ou seja, a criança regulada ela consegue ter mais abertura para poder experimentar o alimento novo, permitir cortar a unha, ou ter um sono mais regulado”, afirma.

Já a fonoaudióloga Melissa Watzko Eskelsen, coordenadora da Reabilitação Intelectual e Transtorno do Espectro do Autismo, pontua que os ganhos, mesmo no curto prazo, são enormes e que o acompanhamento inclui também os responsáveis pela criança. “Trabalhamos com uma equipe bem completa e observamos hoje que os pacientes têm um desenvolvimento de 30% de ganho real em quatro meses. É uma perspectiva bem grande de mudança de comportamento. Trabalhamos bastante com a família que muitas vezes entra nos atendimentos para receber orientações de como ter o manejo daquele comportamento inadequado”, conclui.

Centro de Reabilitação

Além de Santa Catarina ter atendimentos na modalidade única em 141 serviços contratualizados com gestão municipal, recebendo recursos do Estado e do Governo Federal, o Estado é o que mais tem serviços nesta área. Foram habilitados cinco Centros Especializados em Reabilitação, CER II, que atendem deficiência Física e Intelectual, incluindo transtorno do espectro autista. São eles:

  • Florianópolis
    Centro Especializado em Reabilitação – CER II – Física e Intelectual: Macrorregião da Grande Florianópolis – Centro Catarinense de Reabilitação (CCR).
  • Criciúma
    Centro Especializado em Reabilitação – CER II – Física e Intelectual: Regiões de Saúde Carbonífera e Extremo Sul – UNESC – Universidade do Extremo Sul Catarinense.
  • Itajaí
    Centro Especializado em Reabilitação – CER II – Física e Intelectual: Macrorregião da Foz do Itajaí– UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí.
  • Lages
    Centro Especializado em Reabilitação – CER II – Física e Intelectual: Macrorregião da Serra Catarinense– UNIPLAC.
  • Blumenau
    Centro Especializado em Reabilitação – CER II – Física e Intelectual: Região de Saúde do Médio Vale do Itajaí– FURB.

Karla Lobato – Assessoria de Comunicação Secretaria de Estado da Saúde

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