Projetos incentivam a alimentação saudável através de hortas comunitárias e domiciliares

Por Luiz Del Moura

O projeto Colheita Feliz conta com 58 hortas comunitárias e o Projeto Cultivar já distribuiu mais de cem mil mudas de hortaliças para a população

Com a explosão de produtos industrializados nas últimas décadas, cada vez mais presentes na mesa dos consumidores, colocar a mão na terra e desfrutar de produtos fresquinhos e orgânicos tem sido o desafio de quem preza por uma alimentação mais saudável. Esta experiência tornou-se possível e mais próxima da rotina das comunidades desde que a Prefeitura de Lages, através da Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca, implantou o projeto Colheita Feliz no município.

As atividades iniciaram em 2017, com a implantação de 19 hortas comunitárias. Hoje este número quase triplicou e o município conta com 58 hortas espalhadas por todos os cantos da cidade.

O objetivo é desenvolver, incentivar e doar mudas de hortaliças, além de prestar apoio técnico para a implantação de hortas em espaços públicos do município de Lages. Este projeto também busca incentivar o cidadão e as famílias sobre a importância do cultivo do próprio alimento, trazer práticas de economia familiar, conscientização sobre a importância do meio ambiente, inserir os bons costumes alimentares e qualidade de vida, além do envolvimento das comunidades em questões sociais, juntamente com o poder público. “Estamos cumprindo nosso papel, enquanto administração municipal, de promover a conscientização nas comunidades sobre a importância da colaboração mútua por um bem coletivo e assim proporcionar mais qualidade de vida, com uma alimentação mais saudável às famílias”, comenta o prefeito em exercício, Juliano Polese.

As hortas comunitárias e seus produtos estão presentes em vários bairros, escolas municipais, Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) e até em instituições como o Abrigo Menino Jesus; Associação Serrana dos Deficientes Físicos (Asdef); Associação Lageana de Assistência ao Menor (Alam); casas asilares; presídios; Acolhimento POP; padaria da Secretaria de Assistência Social; Irmandade Nossa Senhora das Graças; Associação dos Deficientes Visuais do Planalto Serrano (Adevips); Câmara de Vereadores; Cozinha Comunitária, dentre outros.

Projeto Cultivar agrega e aumenta a adesão

O sucesso do projeto Colheita Feliz foi tão grande, que a Secretaria da Agricultura e Pesca instituiu um novo trabalho para complementar e agregar ainda mais no que já estava dando certo. Em 2021 surgiu o Projeto Cultivar, com o objetivo de implantar hortas domiciliares através da distribuição de mudas para a comunidade em geral.

Todas as quintas-feiras é realizada a distribuição de mudas para a comunidade, que pode buscar na própria Secretaria de Agricultura e Pesca, localizada na rua Sebastião Ramos Schimdt, 288, no bairro Universitário. O projeto também está presente nas ações da prefeitura, como o “Desenvolve Mais Bairro”, que acontece mensalmente, fazendo a distribuição das mudas.

As hortaliças produzidas nas hortas comunitárias e domiciliares não podem ser consideradas orgânicas devido ao fato de ser utilizado adubo e/ou fertilizantes químicos no cultivo. De qualquer forma, os técnicos da Secretaria orientam que não seja utilizado defensivos químicos como inseticidas, fungicidas ou herbicidas para controle de pragas ou doenças. São utilizados apenas produtos naturais.

As mudas são produzidas e distribuídas diariamente pelo Horto Municipal da Secretaria de Agricultura e Pesca, localizado no bairro Guarujá, que até final de abril deste ano já distribuiu mais de 106 mil mudas de hortaliças, temperos e chás através do Projeto Cultivar.

Com colaboração mútua, todos ganham

As equipes que trabalham nos dois projetos observaram que, quando há o comprometimento da comunidade, o trabalho fica muito mais significante, já que aquele espaço passa a ser de convívio e lazer entre os moradores, trazendo benefícios a todos.

Mas ainda falta essa consciência de colaboração em alguns bairros. “Infelizmente muitas comunidades solicitam a implantação da horta, mas poucas assumem a responsabilidade de cuidar e manter o espaço. No início muitos participam, mas depois da primeira colheita a horta vai sendo abandonada pela população. Neste sentido é necessário o engajamento de todos para que a horta se mantenha”, explica a engenheira agrônoma da Secretaria de Agricultura e Pesca, Josie Moraes Motta.

Saiba como ter uma horta comunitária no seu bairro

Para que o projeto funcione de maneira dinâmica e com a colaboração de todos, seguem alguns passos até que seja concretizado. As Associações de Moradores interessadas em implantar uma horta comunitária em seu bairro entram em contato com a Secretaria da Agricultura e Pesca através de ofício, anexando os documentos necessários, solicitados pela Secretaria, com relação ao terreno e aos representantes da associação que ficarão como responsáveis no Termo de Cooperação que será elaborado.

Este será o primeiro passo. Após isso, os técnicos fazem uma visita in loco para identificar se é possível ou não implantar uma horta no local solicitado, observando condições de solo, disponibilidade de água, cerca, entre outras questões que interferem na viabilidade.

Caso tudo esteja adequado é necessário que pelo menos uma pessoa fique como responsável pelo local e organização da comunidade. Esta pessoa irá convidar a comunidade para participar de ações como serviços de plantio e irrigação, sempre que necessário. A limpeza inicial do terreno e implantação da primeira horta é de responsabilidade da Secretaria de Agricultura e Pesca e quando necessário é solicitado o apoio da Secretaria de Serviços Públicos e Meio Ambiente. “Após a horta instalada, cabe à comunidade a manutenção, cuidados e replantio das mudas, sendo que nossa Secretaria permanece com a responsabilidade de suprir a demanda de mudas sempre que necessário”, explica Josie.

Texto: Aline Tives

Fotos: Divulgação/Secretaria de Agricultura e Pesca

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