Em prol da maçã catarinense, Lucas Neves pede que Brasil não firme acordo com China

Por Claudio Santos

Em discurso realizado nesta quarta-feira (29), na Tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o deputado Lucas Neves (Podemos) repudiou a possibilidade de pacto do Governo Federal com a China para importação da maçã chinesa. O parlamentar solicitou ao Ministério da Agricultura a retirada da fruta da pauta de negociações entre os dois países. Para Neves, um eventual acordo poderia inviabilizar a produção catarinense, além de trazer altíssimo risco sanitário aos pomares do estado.

“A abertura do mercado significa um perigo socioeconômico aos nossos produtores, além de fitossanitário à cultura da macieira. Há mais de 40 doenças da maçã que não existem aqui e que poderiam chegar com esse acordo. Uma delas é a traça-da-maçã, a Cydia Pomonella, erradicada há dez anos, garantindo ao nosso estado o status de única região do mundo a erradicar a praga”, ressalta o deputado.

Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), a Cydia Pomonella é considerada a pior praga da fruticultura no mundo e mantê-la fora de Santa Catarina exige um trabalho contínuo do Ministério da Agricultura, da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e dos produtores rurais. Após Santa Catarina ter erradicado o inseto, conquistou a abertura de vários mercados, pois a qualidade geral dos frutos é preservada, uma vez que não é necessário o uso de inseticidas para o controle da doença nos pomares.

Na safra 2021/22, Santa Catarina produziu 572 mil toneladas de maçã, a partir de 3 mil pomares. No valor bruto da produção de frutas no Estado, a maçã contribui com 50%, ou o equivalente a R$ 570 milhões por ano. Em termos de exportação, em 2022, Santa Catarina participou com 15,8% (5,8 mil toneladas) do volume brasileiro e com 14,5% do valor negociado (US$ 3,5 milhões).

“A vinda de pragas e doenças ausentes em nossos pomares, bem como a depreciação de preços, pode significar a inviabilização do setor e o desemprego de milhares de agricultores na nossa região. Precisamos unir vozes para evitar isso”, finalizou Lucas Neves.

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