Sessão Especial sobre a Diabetes: conhecer para prevenir e tratar

Por Luiz Del Moura

As pessoas com diabetes pedem por melhorias nas condições de tratamento e uma legislação mais adequada às suas condições

O diabetes é uma doença que se caracteriza pela elevação da glicose (açúcar) no sangue, resultado da produção insuficiente de insulina pelo pâncreas ou por sua má absorção pelo organismo. Dados de 2021 apontam que mais de 537 milhões de adultos convivem com a doença em todo o mundo, 16,8 milhões destes apenas no Brasil, o quinto país com mais casos. A patologia pode levar a complicações graves como cegueira, danos renais, doenças cardiovasculares, amputações de membros e a cerca de 1.5 milhão de mortes todos os anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Tal condição exige que as pessoas acometidas pela diabetes tenham cuidados pelo resto da vida, como a medição de glicemia, o uso da insulina, uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios. Entretanto, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 46% da população não sabem que possuem a doença. Por isso, é fundamental que o conhecimento acerca do tema seja difundido para a tomada de consciência por parte da população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do controle adequado da doença. Como forma de contribuir com a sociedade, a Câmara Municipal de Lages promoveu uma sessão especial alusiva ao tema na noite de 16 de novembro.

A reunião teve como proponente o vereador Agnelo Miranda (PSD), autor de um projeto de lei que tramita nas Comissões da Casa Legislativa e propõe a criação da Carteira de Informação do Paciente Diabético. Se aprovado, tal dispositivo possibilitará que a pessoa com diabetes tenha atendimento facilitado e adequado à sua condição, evitando o uso de medicamentos que possam ser administrados de maneira equivocada e agravem a situação do paciente. A cidade paulista de Limeira e o estado do Rio de Janeiro já possuem leis semelhantes em vigor. Conheça outras iniciativas da Câmara de Lages sobre Diabetes.

“Nós podemos fazer a diferença, mas é preciso pensar, unir e agir agora”

Fizeram parte da mesa de trabalhos a presidente da Associação Doce Vida (Unidos pelo Diabetes), Michely Arruda Bernardelli, e o médico oftalmologista e doutor em cirurgia, Luiz Alberto Zago Filho. De maneira remota participaram a representante da ADJ Diabetes Brasil, Lucia Modesto Xavier (SP); a coordenadora de Saúde Pública da Sociedade Brasileira de Diabetes, dra. Karla Melo (PB); e a presidente do Instituto Diabetes Brasil, Jaqueline Correia (DF).

Enfermeira pós-graduada em Saúde da Família, Michely Bernardelli conta que a Associação Doce Vida, a qual preside desde 2012, existe de forma jurídica desde 2009 e faz parte da Frente Parlamentar Mista de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento de Diabetes, da Câmara dos Deputados, inclusive tomando parte do fórum “Diabetes em Foco”, realizado em Brasília, no dia 7 de novembro. “Estamos nos movimentando para melhorar as políticas públicas e trazer protocolos mais adequados ao tratamento da doença em Lages”, afirma.

Ela conta que aos 12 anos foi ao pronto-socorro após passar mal por desidratação, lá recebeu soro glicosado e, por conta disso, ficou três dias em coma até descobrirem o seu diabetes. “Por isso, a importância de um protocolo no município de atendimento com glicemia capilar, que pode mudar todo o manejo de tratamento”, ressalta. Nos anos subsequentes, Michely desenvolveu outros problemas de saúde provenientes da diabetes, mas agora luta para que outros pacientes – e os familiares destes que se culpam erroneamente – tenham um caminho menos tortuoso para lidar com a doença.

Segundo a presidente da Doce Vida, políticas públicas e documentos legislativos são necessários para que as vozes das pessoas com diabetes reverberem. “O diabetes não tem cura, é uma doença crônica, 24 horas por dia, 365 dias no ano e que não tira férias. A gente precisa de tratamentos diferenciados, pois o SUS oferece o básico do básico. Já temos tecnologias, medicamentos e insumos melhores. Por que temos que furar o dedo de uma criança de seis a dez vezes por dia quando temos um sensor que monitora de maneira contínua a glicemia? Os gestores ainda veem a pessoa com diabetes como gasto e não como investimento. A partir do momento que nos vejam com empatia, as despesas com hemodiálise, amputação e cegueira serão reduzidas. Nós podemos fazer a diferença, mas é preciso pensar, unir e agir agora por um tratamento melhor”, reitera Michely.

Sensores de glicemia já são distribuídos gratuitamente pelo Brasil

A ADJ Diabetes Brasil possui 44 anos de existência pela causa, reúne 44 associações de pacientes no país, as quais representam 71 mil pessoas, e é entidade membro da Federação Internacional de Diabetes. Lucia Xavier destacou alguns avanços como a lei 14.654/2023, originária do PL 9300/2017, que torna obrigatória a divulgação online dos estoques dos medicamentos das farmácias que compõem o SUS. Este caso se distingue devido a um episódio de incineração de insulinas de ação rápida vencidas em meio a pandemia. “Haviam caixas e containers com medicamentos que não foram utilizados dentro do almoxarifado do Ministério da Saúde em São Paulo”, relembra.

Quanto à disponibilização gratuita do sensor de glicemia para monitoramento contínuo da diabetes, ela citou vários exemplos em prática como em Brasília-DF, Amparo-SP, Aparecida de Goiânia-GO, Atibaia-SP, Foz do Iguaçu-PR, Limeira-SP e o estado de Espírito Santo. “É preciso deixar o paciente no centro das decisões, ele precisa receber informações para compartilhar com a família o que ele aprendeu e tornar a vida dele mais digna, com mais qualidade de vida e sem complicações”, aponta Lucia.

 

Rotinas alimentares e físicas mais saudáveis diminuem os casos graves da doença

Dentre as complicações mais comuns decorrentes da diabetes em relação aos olhos aparecem a catarata, o glaucoma (aumento da pressão intraocular) e a retinopatia diabética. Entretanto, o médico oftalmologista Dr. Luiz Alberto Zago Filho destaca que a saúde pública em Lages evoluiu muito na última década e os pacientes hoje são atendidos com a tecnologia mais avançada do mundo na área, tal como tratamento a laser, cirurgias, aplicação de drogas injetadas dentro do olho, tudo disponível via Ministério da Saúde.

A prática diária na área da oftalmologia faz com o Dr. Zago deixe um alerta sobre a falta de orientação das pessoas diante da necessidade de hábitos saudáveis de alimentação e de exercícios físicos regulares. “Muitos pacientes nos procuram com quadros mais evoluídos da doença, é necessário um maior conhecimento prévio para evitar potenciais agravamentos no quadro”, destaca.

Procure um médico se apresentar os seguintes sintomas:

Urinar com frequência

Sede excessiva e fome extrema

Perda de peso inexplicável

Mudanças repentinas na visão

Dormência nos pés ou mãos

Cansaço

Pele seca

Feridas de cicatrização lenta

Infecções frequentes

Você sabia?

A Federação Internacional de Diabetes e a OMS estabeleceram o 14 de novembro como o Dia Mundial da Diabetes e definiram o azul como a cor alusiva à causa. Já em Lages, o Dia Municipal da Diabetes foi instituído através da lei 4319/2019, originária do projeto de lei 092/2018, de autoria do vereador Jean Pierre Ezequiel e aprovada por unanimidade na Câmara.

Assista a sessão especial sobre Diabetes no YouTube da TV Câmara Lages

Fotos: Bruno Heiderscheidt de Oliveira

Everton Gregório – Jornalista | Câmara de Lages

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