Edital para credenciamento das famílias fica aberto até o fim do ano
Uma sessão especial da Câmara de Lages, realizada na noite desta quinta-feira (dia 3), deu visibilidade ao Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, iniciativa que oferece um lar afetivo e seguro às crianças e adolescentes afastados de suas famílias por conta de medidas judiciais protetivas. Atualmente, 40 menores, incluindo dez bebês, aguardam por esse acolhimento temporário.
O Família Acolhedora se difere das casas de abrigo por oferecer um cuidado individualizado às vítimas de ambientes de vulnerabilidade ou violência, contribuindo para que elas tenham um desenvolvimento saudável e afetuoso até o momento de serem reintegrados às famílias de origem, seguirem para o vínculo de parentes próximos ou à adoção.
Desenvolvido pela Prefeitura de Lages, através da Secretaria Municipal da Assistência Social, o Família Acolhedora foi instituído no ano passado, através da lei municipal 4811/2025. O primeiro ano serviu para a estruturação do serviço e das equipes técnicas e para o chamamento das famílias interessadas. Em seguida, elas passam por uma capacitação, recebem acompanhamento técnico e um subsídio financeiro para ajuda de custo.
Susana Santos de Souza faz parte da primeira família apta a participar do serviço, o que, para ela, é motivo de muita alegria e responsabilidade. “É uma decisão de vida ser uma família acolhedora. Conversei com meu esposo Adilson e meu filho Lucas, de 10 anos, e eles foram muito favoráveis sobre dar essa oportunidade a uma criança que precisa de cuidado, atenção e segurança nesse momento. Como professora, me deparo com situações que necessitam de amparo além dos muros das escolas. Durante as capacitações que tivemos, aprendemos muito e tivemos ainda mais certeza da nossa decisão”, comenta ela.
O edital para participação segue disponível até 31 de dezembro e os interessados podem se informar pelos telefones (49) 3019-7460 ou 99836-1476, via e-mail [email protected] ou na sede do serviço, localizada na rua Caetano Vieira da Costa, número 575, próximo ao Tanque, no Centro.
Autoridades comemoram a efetivação do serviço e apelam para que mais famílias façam parte
Proponente da sessão, o vereador Mauricio Batalha Machado (Podemos) ressaltou a agilidade dada à tramitação do projeto que originou a lei, assim que a prefeita Carmen Zanotto (Republicanos) o enviou ao Legislativo Lageano. “Tanto o promotor quanto o juiz da Vara da Infância diziam que Lages esperava há 30 anos por isso. Em menos de um ano foi formatado um projeto de lei, um instrumento legal, uma equipe e uma estrutura para viabilizar esse serviço. Só aprovar um projeto não faz diferença na vida da população, mas vê-lo ser adotado e implantado é a razão de estarmos aqui”, comemora.
“Ter um lar estruturado pode fazer toda a diferença na vida dessa criança, desse adolescente, que pode vislumbrar um caminho seguro para a vida. Parabéns às famílias que têm esse desprendimento e essa coragem, esta Casa Legislativa e o município de Lages agradecem a vocês por fazerem parte de uma lei que muda a vida das pessoas”, complementa o presidente da Câmara.
Secretária adjunta de Assistência Social, Carollina Batista representou a titular da pasta na sessão e, em sua fala, apontou que a prefeita Carmen não acreditava que o município ainda não tinha um serviço dessa natureza. Por isso, foram feitos estudos e pegado exemplos de cidades próximas, como Curitibanos, Blumenau e Urubici, que já dispunham do Família Acolhedora. “Lages é uma cidade acolhedora, as pessoas se importam e cuidam umas das outras, então, aquele afeto de tia, de uma avó que essas crianças tanto necessitam, agora é algo institucionalizado”, comenta ela.
Carol fez um clamor para que mais famílias aceitem o convite e façam parte dessa iniciativa. “É um ato grandioso oferecer um lar, mesmo que temporário, a uma criança, a um adolescente que vem de uma situação de sofrimento. Poder participar de um espaço de amor, de acolhimento, de um almoço de domingo, é a maior riqueza que podemos oferecer para o agora e para a construção do futuro desses cidadãos lageanos”,
Coordenadora do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, Gabriela Furtado Pereira lembra que o Estatuto da Criança e do Adolescente já definia como um direito à convivência familiar e comunitária. “Isso sempre deveria ser uma prioridade e agora é, além de um lugar de afeto, de cuidado, proteção e segurança. Lages deu um avanço nas políticas públicas de acolhimento social com famílias que, para além de abrir a porta de seus lares, estão proporcionando relações sólidas e seguras para crianças em vulnerabilidade”
“Falar em Família Acolhedora aquece o coração e nossa missão aqui é levar informação, sensibilizar a comunidade sobre cuidado, afeto, acolhida e falar de garantia de direito. Como assistente social de formação, fico muito feliz de poder contribuir para o fortalecimento desta política pública, de algo que tem sido construído há dez anos. Temos 40 crianças institucionalizadas aptas para este acolhimento, então precisamos contribuir para que essas crianças venham a ter essa convivência de lar, de família, de mesa, de afeto, de respeito e carinho”, apontou a diretora de Proteção Social Especial de Alta Complexidade, Adriana Dias Medeiros.
Fotos: Gugu Garcia (Câmara de Lages)




