Árvore de pinus: a mais catarinense entre as estrangeiras

Por Luiz Del Moura

Por Mauro Murara Jr. – Engenheiro florestal e diretor-executivo da Associação Catarinense de Empresas Florestais

O gado nelore, principal raça criada no Brasil, tem origem na Índia. Alguns grãos, que todos os anos batem safras recordes em nosso país, também não são nativos daqui. A soja, por exemplo, é o produto mais exportado atualmente e que foi introduzido no Brasil a partir de 1882. Os estudos indicam que os primeiros cultivos são da região do rio Yangtse, na China. Assim acontece com o milho que veio do México; com o trigo, que veio da Mesopotâmia (Egito e Iraque) e diversos outros alimentos que o Brasil produz para o mundo.
Deixando a seara dos alimentos e focando na flora não comestível, lembro que inúmeras flores e plantas ornamentaissão estrangeiras no Brasil. Exóticas e tão amadas quanto um filho, nascido em berço esplendido. A árvore de pinus também não é nativa do nosso continente. O desenvolvimento em escala do gênero Pinus no Brasil começou no fim dos anos de 1970 com um propósito: fornecer madeira para a indústria. E isso deu muito certo! O melhoramento genético e as condições
edafoclimáticas da Região Sul, propiciou termos os melhores índices do mundo para o crescimento de Pinus taeda, principal espécie utilizada em escala industrial.
De acordo com um levantamento estatístico publicado em julho pela Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Santa Catarina produziu em 2021, cerca de 18 milhões de metros cúbicos de madeira em tora de pinus. É madeira pra mais de metro (cúbico)! Essa matéria-prima, de fonte renovável, atende uma diversificada linha de produtos que usamos no nosso cotidiano e nem percebemos. Ela está no papel, nas caixas de papelão, nos móveis, nas portas. Em estruturas, embalagens, utensílios domésticos, em brinquedos. Os pellets de madeira são fonte de energia renovável e cada vez mais utilizada no mundo todo. Se mergulharmos mais fundo e olharmos a madeira com um poderoso microscópio, vamos
encontrar a celulose. Além de papel, com celulose é possível fazer capsulas para remédios. O produto também é usando na indústria alimentícia e automobilística. Se formos ainda mais fundo, chegaremos à nanocelulose e à lignina. Com estas moléculas, coisas fantásticas já são feitas. Essências, superfícies impermeáveis e até pele artificial. E tudo isso é só o começo!
O planeta está exigindo produtos com o menor impacto ambiental e a humanidade depende de matéria-prima. A produção de florestas para fins industriais é uma solução viável. As árvores plantadas captam carbono da atmosfera durante todo seu desenvolvimento. Depois, esse carbono fica sequestrado ao longo de toda a vida útil dos produtos fabricados, por décadas ou até séculos.
Santa Catarina tem uma área de aproximadamente um milhão de hectares com florestas plantadas (70% pinus, 29% eucalipto). Juntas, as empresas que atuam neste setor preservam  algo em torno de 680 mil hectares de vegetação natural, o equivalente a 30% de toda a cobertura nativa de Santa Catarina.
A árvore de pinus representa desenvolvimento com equilíbrio ambiental. Se ela escolheu nosso estado para se desenvolver tão bem, temos que retribuir, tratando-a com respeito e responsabilidade. As empresas que atuam na silvicultura em Santa Catarina sabem disso. Possuem práticas ambientais, sociais e de governança desde muito antes do termo ESG ser popularizado. E é por isso que hoje a madeira de pinus catarinense é reconhecida internacionalmente. É um trabalho que começou há muito tempo e que não tem data para terminar.

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