Comarca de Lages ajuda na redução dos impactos da pobreza menstrual

Por Luiz Del Moura

A campanha “Dignidade Menstrual”, organizada pelo Poder Judiciário de Santa Catarina, está na fase final, com a entrega dos absorventes arrecadados para instituições em entidades parceiras que farão a distribuição dos itens. Nesta terça-feira (29), a comarca de Lages repassou à Diocese local parte dos nativos angariados para ajudar na redução dos impactos da pobreza menstrual na cidade.

A Diocese tem oito pastorais sociais, como a da saúde, imigrante, juventude, carcerária entre outras, que estão em contato direto com pessoas em situação de vulnerabilidade social. São os representantes dessas pastorais os responsáveis em identificar as necessidades das pessoas, inclusive as que se referem à pobreza menstrual. Além de estarem na periferia, muitas vivem em situação de rua na região central.

Irmã Iandra Conrado diz que a realidade dessas pessoas não permite que tenham acesso aos produtos básicos de higiene. “ Elas não têm a mínima condição de comprar um pacote de absorvente. E isso vale para outras necessidades, como comer algo que gostariam. No período menstrual, muitas mulheres usam os paninhos ou precisam se sujeitar a pedir para os maridos. E eles, quando podem, preferem comprar bebida alcoólica, por exemplo, a adquirir o produto para a companheira”.

A irmã explica que o esforço para atender a comunidade ocorre de forma coletiva. “ Nós contamos com muitos parceiros. O trabalho é feito em rede e temos a ajuda de instituições, entidades e órgãos públicos, como agora é feito pela Justiça. Estamos recebendo um grande presente. Essa doação vai trazer mais conforto e felicidade para as mulheres que realmente precisam”, agradece.

Membro da pastoral da juventude, Igor Marafigo destaca que o acesso à informação sobre a dignidade menstrual e a ter o absorvente é um direito e não uma vaidade. “A sociedade, em especial as mulheres, precisam ter consciência de que isso é um direito básico e que de alguma forma precisa ser assegurado.  Nós, homens e jovens, temos que trabalhar junto dessas mulheres para que a conscientização seja ampla”.

Nesse ponto, o jovem levanta a questão de o tema precisa ser mais debatido entre as figuras masculinas que ocupam a maioria dos espaços de representatividade. “ Precisamos fazer a discussão chegar a esses homens, que por vezes não têm noção dessa realidade com esposa, filha, irmã, e quem dirá de uma jovem e mulher de periferia”.

No primeiro momento, cerca de 1.200 absorventes foram entregues à Diocese. Na próxima semana, o Tribunal de Justiça fará o encaminhamento de outra quantidade à comarca de Lages. Para a chefe de secretaria do fórum, Yonara Zeschau Schimitz Silva, a oportunidade da mobilização demonstra a importância em tratar sobre determinados assuntos. “ Ainda temos um certo preconceito em falar sobre pobreza menstrual. A iniciativa do Poder Judiciário de levantar o tema, não só para ser discutido em sociedade, mas pelos próprios servidores, foi essencial. Espero que a campanha permaneça no calendário”.

Sobre a campanha

A campanha “Dignidade Menstrual”, organizada pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica (Cevid) e Diretoria de Saúde, do TJSC, teve como objetivo dar visibilidade às questões relacionadas à pobreza menstrual e combater a desinformação sobre o tema. Nesta ação, foram arrecadados absorventes junto aos colaboradores no Tribunal de Justiça, nas comarcas distribuídas pelo Estado e outros parceiros externos.

NCI/TJSC

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