Números do censo do IBGE podem prejudicar a Serra Catarinense

Por Luiz Del Moura

Prefeitos da Amures se mostraram preocupados com os dados oficiais do Censo Demográfico do IBGE revelados semana passada. Dos 18 municípios da Serra Catarinense, apenas Correia Pinto mudou de faixa no retorno do Índice de Participação dos Municípios (FPM), saltando de 0,8 para 1,0, o que resultará em melhoria de arrecadação na partilha de distribuição federal de recursos destinados aos municípios.

Os relatos dos gestores municipais aconteceram na assembleia de prefeitos, sexta-feira à tarde na sede da associação de municípios. O secretário executivo Walter Manfroi apresentou os números populacionais revelados pelo censo em comparação a 2022. O prefeito de Anita Garibaldi João Cidinei da Silva, foi categórico ao afirmar que não acredita nos números do censo.

“Contestei até judicialmente. Temos cadastrados pelo do Bolsa Família, em que os agentes comunitários vão de casa em casa, 10.230 habitantes. Dezenas de famílias procuraram a prefeitura por não terem recebido os recenseadores do IBGE. O censo falhou em Anita Garibaldi”, desabafou João Cidinei da Silva.

Segundo o IBGE, Anita Garibaldi saltou de 6.783 habitantes em 2022 para 8.285 habitantes em 2023. Se superasse os 10.188 habitantes, o município mudaria a faixa de retorno do FPM de 0,6 para 0,8. Outro dado que preocupa os prefeitos, são municípios que diminuiu a população e tendem a cair na faixa do FPM e perder arrecadação nos próximos anos.

É o caso de Otacílio Costa, que segundo o IBGE em 2022, tinha 19.201 habitantes e agora aparece com 17.312. A queda populacional neste caso foi de 1.889 pessoas e como a participação na faixa do FPM é baseada por estimativa, nos próximos anos Otacílio Costa poderá cair de 1,2 para 1,0 no retorno do FPM.

Mesma situação Urubici, que aparecia ano passado com 11.311 habitantes, agora está com 10.834. Uma redução, segundo o IBGE de 477 habitantes. E persistindo essa estimativa, em poucos anos cairá da faixa de 0,8 para 0,6 do FPM. Já Bom Retiro que ano passado tinha 10.153 habitantes pela estimativa do IBGE e precisava de apenas 35 habitantes para saltar na faixa do FPM de 0,6 para 0,8, acabou despencando para 8.418 habitantes.

Entre todos os municípios da Serra Catarinense, o crescimento populacional foi de apenas 2,66% e mesmos sendo 18 municípios, não atingiu a marca dos 300 mil habitantes. Uma das questões que preocupa os prefeitos é que o censo impactará, no retorno de recursos para saúde que é calculado pela percapita. Como os números são questionáveis, a região poderá amargar nos próximos anos, uma conta negativa pelos dados populacionais que não fecham no censo demográfico.

  POPULAÇÃO – CENSO
MUNICÍPIO20222023+/-%Faixa FPM
Anita Gribaldi6.783             8.285        1.502        22,140,6
Bocaina do Sul3.501             3.515              14          0,400,6
Bom Jardim da Serra4.801             4.026–      775–      16,140,6
Bom Retiro10.153             8.418–  1.735–      17,090,6
Campo Belo do Sul6.889             7.257           368          5,340,6
Capão Alto2.467             2.625           158          6,400,6
Cerro Negro3.013             3.317           304        10,090,6
Correia Pinto12.315           15.727        3.412        27,711
Lages157.158         164.981        7.823          4,984
Otacilio Costa19.201           17.312–   1.889–        9,841,2
Painel2.352             2.215–      137–        5,820,6
Palmeira2.673             2.561–      112–        4,190,6
Ponte Alta4.619             4.437–  182–        3,940,6
Rio Rufino2.484             2.397–    87–        3,500,6
São Joaquim27.322           25.939–  1.383–        5,061,4
São José do Cerrito8.054             8.708           654          8,120,6
Urubici11.311           10.834–          477–        4,220,8
Urupema2.453             2.656           203          8,280,6
Total           287.549         295.210        7.661          2,66

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