Sessão especial ressalta a campanha Agosto Lilás

Por Luiz Del Moura

A pauta da noite de quarta-feira (24) no Plenário Nereu Ramos atendeu ao requerimento 160/22, de autoria das vereadoras componentes da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara de Lages, Katsumi Yamaguchi (Progressistas); Prof.ª Elaine Moraes (Cidadania) e Suzana Duarte (Cidadania).
O tema agosto lilás tem como referência o aniversário de 16 anos da Lei Federal 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha e seu objetivo principal é o enfrentamento à violência doméstica. Durante os trabalhos, representantes do Poder Legislativo, Executivo, Judiciário e instituições de apoio abordaram as ações desenvolvidas e também a estruturação da rede de prevenção e de acolhimento às vítimas.
Para Suzana, são várias formas de violência, mas pequenos detalhes podem mudar e transformar uma realidade. “Os homens precisam aprender que, às vezes, as palavras doem mais que um tapa e isso é um tipo de violência. Precisa ser uma troca, estamos constantemente unidas através da Procuradoria da Mulher para motivar a participação e para que surjam políticas públicas eficazes”, disse a parlamentar.
Samila Romani, assistente de Promotora de Justiça, apresentou dados com relação aos grupos de conscientização que envolvem a conduta da figura masculina. “Além de poderem mudar a cultura de machismo e violência, eles podem, através de seus depoimentos, auxiliar outros homens a repensarem suas atitudes e assim trazer um novo cenário”, explicou ela.
Secretária de Políticas Públicas para a Mulher, Marli Nacif fez um balanço sobre a atuação de sua pasta e os investimentos na formação de profissionais orientadores e dos grupos reflexivos. Segundo ela, a demanda aumenta diariamente. “Temos uma fila de espera que daria mais uns seis grupos, o trabalho tem que ser feito, não tem dia nem hora. Trabalhamos 24 horas, todos os dias do ano, é necessário” concluiu.
Para o psicólogo Charles Andrade Medeiros, o grupo reflexivo deve ser para todos os homens, não apenas aos autores das violências. “Precisamos nos perguntar como vemos a nossa masculinidade, analisar cada comportamento e atitude. Todos nós nos constituímos em uma sociedade violenta, os dados e as instituições estão nos apresentando uma realidade muito triste. Esta violência acontece todos os dias, é desconfortável, mas necessário falar disso”, apontou Charles.
Muitas vítimas não vão atrás da justiça ou em busca dos seus direitos, consequentemente, os números podem ser maiores do que os apresentados pelos órgãos que os contabilizam. O juiz diretor do fórum de Lages, Dr. Alexandre Takaschima, falou sobre as medidas protetivas. “Desde o início do ano de 2022, foram 792 até 22 de agosto, uma média de aproximadamente três mulheres fazem esta solicitação por dia, mas, é preciso considerar que esse é o mínimo. De alguma maneira, elas estão nos procurando, entretanto, os números ainda são alarmantes” observou Takaschima.

Fotos: Bruno Heiderscheidt/Por Alex Branco – Jornalista

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