Morre aos 87 anos Tia Bira a supermãe lageana

Por Claudio Santos

Morreu hoje  na Upa de Lages Alzira da Silva (Tia Bira) e seu velório teve início às 15 horas na Capela Anjo da Guarda. Tia Bira tinha 87 anos, considerada a supermãe lageana de coração, com seu trabalho acolheu praticamente sozinha mais de uma centena de órgãos ou filhos de mães solteiras que não tinham condições de cria-los. Ao longo de sete décadas em sua casa, no bairro Triângulo, em Lages, Tia Bira viveu para o amor as crianças.

Filha de mãe solteira, com 18 anos, Alzira deixou a diversão de lado e passou a ajudar a criar cinco crianças adotadas por sua mãe. Com a morte da sua matriarca, Tia Bira, aos 26 anos, assumiu a responsabilidade por essa criação e também de sua irmã biológica mais nova. Para manter as crianças, que a cada vez chegavam mais até chegar ao número de 53 acolhidas ao mesmo tempo, ela contava com doações financeiras, de alimentos, roupas e calçados, mesmo que escassas na maior parte do tempo. Ao longo dos anos, campanhas beneficentes auxiliaram a causa e mais pessoas ajudaram, inclusive professores na educação das crianças.

O Lar de Amparo Tia Bira, como era conhecido, foi transferido para outros bairros até a mudança definitiva no início dos anos 1970 para a rua Dom Joaquim do Arco Verde, no bairro Centenário. Em frente de sua residência, fica localizada a creche municipal que leva o seu nome, administrada pela Prefeitura Municipal. Por seu trabalho ímpar, Tia Bira recebeu diversas homenagens em vida, como o Diploma de Honra ao Mérito da Câmara Municipal de Lages em 1989, e o Diploma Mulher 89, no mesmo ano, da entidade Lar das Meninas em conjunto com o Clube 14 de Junho.

Para todos que viveram sob os seus cuidados, resta a gratidão, o respeito e a admiração por uma pessoa que devotou sua vida ao acolhimento, a solidariedade, a compaixão e a proteção aos outros. Vigilante da Câmara de Lages há 20 anos, Rafael da Silva (Bugre) foi o único dos filhos adotivos registrados pela Tia Bira por ser de naturalidade estrangeira. Ele teria de retornar ao país de origem se não fosse registrado. “Ela deu para nós todo o carinho para formar o homem que sou hoje, de tudo que eu tenho, minha família, a educação, um cara responsável e trabalhador. Este foi o descanso dela e só tenho a agradecer, por mim e todos os meus irmãos”, comenta Rafael, que viveu por 21 anos na casa da Tia Bira até casar e constituir família.

Fonte: Câmara de Vereadores

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